Freqüentemente, o aluno de Ciências Aplicadas possui
uma
forte expectativa de estudos tecnológicos já no
início do Curso. De fato, até o seu ingresso na
universidade, poucos alunos têm uma
noção clara da
carga de disciplinas com ênfase teórico-formal.
Assim,
quando se deparam com um conjunto considerável de
disciplinas
com esta ênfase, tendem a considerar os estudos
matemáticos como algo secundário ou de menor
importância. Mesmo que o Professor enfatize a
importância
da Matemática para o Curso e para a
formação
profissional, a idéia como um todo fica em um contexto muito
abstrato. Um conseqüência é que, mesmo
que o aluno
"absorva" o conteúdo desenvolvido, tende a
esquecê-lo com
rapidez, muitas vezes antes de aplicá-lo nas disciplinas
subseqüentes. Por isto, procuraremos, sempre que
possível,
relacionar os conteúdos desenvolvidos com a disciplinas
futuras
e/ou linhas de pesquisa atuais, não só para
visualizar e
entender como é aplicado, mas também para ajudar
a fixar
o conteúdo desenvolvido.
A Matemática Discreta
aplica-se a
várias disciplinas de cursos como
Computação,
Informática, Matemática, Sistemas de
Informação, como, por exemplo, Sistemas
Operacionais,
Bancos de Dados, Compiladores, Estruturas de Dados, Técnicas
Digitais, Algoritmos, Complexidade de Algoritmos, Teoria da
Computação, Linguagens Formais e
Autômatos, Modelos
para Concorrência, Semântica Formal, Teoria das
Categorias,
Programação, Paradigmas de Linguagens de
Programação, Teoria dos Grafos,
Análise
Combinatória e Probabilidade Discreta, etc.
Segundo P.B. Menezes, existe um aparente
paradoxo em
relaçào a esta disciplina de
Matemática Discreta:
se, por um lado, alguns alunos a consideram especialmente
difícil, sendo muitas vezes classificada como mais
difícil do que Cálculo; por outro lado, como
muitos
tópicos são próximos de
conteúdos
desenvolvidos no Ensino Médio, a primeira
impressão
é de que se trata de uma revisão, com algum
aprofundamento, de uma coletânea de tópicos
já
conhecidos, induzindo o aluno a um estudo relativamente superficial. O
fato é que, na Matemática Discreta, a
abrangência e
a profundidades com que os assuntos são tratados
são bem
maiores, a abordagem é diferente (ênfase nos
aspectos
teórico-formais e no desenvolvimento do
raciocínio), e
muitos conceitos conhecidos são redefinidos para o contexto
da
Computação e Informática.
O conteúdo de
Matemática Discreta
é relativamente extenso e é desenvolvido com
abrangência e profundidade. Tal fato tende a levar o aluno a
centrar seu estudo no conteúdo, dando pouca
atenção aos níveis mais elevados de
raciocínio. A conseqüência é
que, no meio do
semestre letivo (ou até antes), muitos alunos se sentem
perdidos, não acompanhando mais o desenvolvimento da
disciplina.
A questão fundamental é o entendimento de que,
tão
importante quanto o conteúdo, é o desenvolvimento
da
capacidade de raciocínio abstrato
(lógico-matemático), o qual é
fortemente explorado
junto com o conteúdo. Ou seja, de certa forma, o
conteúdo
é usado como um meio para o desenvolvimento de um
raciocínio abstrato. É importante observar que o
desenvolvimento do raciocínio é obtido
gradualmente, ao
longo do tempo, como conseqüência de estudos
regulares e
sistemáticos, preferencialmente após cada aula ou
tópico estudado. Conseqüentemente, estudos
intensivos pouco
antes de uma tarefa avaliativa são muito pouco produtivos e,
em
geral, resultam na sensação do tipo: "sabia o
conteúdo, mas não consegui resolver as
questões".
Neste sentido, indicamos ao aluno a leitura do livro de J.I. Pozo sobre
a resolução de problemas, citado abaixo.