Artigo definido. Veja algumas das principais situações
em que se usa o artigo definido (o, a, os, as):
1 - Uso geral
a) Individualiza o substantivo: O marido, a mulher e os filhos
compareceram à festa. / Aquele era o dono da empresa.
b) Dá ênfase a uma situação única:
Não era um jornalista; era o jornalista.
c) Precede os nomes de trabalhos literários e artísticos
(se o artigo fizer parte do nome, irá em maiúsculas):
Gostava mais do Quincas Borba que das Memórias
Póstumas de Brás Cubas. / Preferia Os Lusíadas
às Memórias do Cárcere.
d) Particulariza nomes de coisas (prédios, edifícios,
veículos, embarcações, etc.) e a concordância
se faz com a idéia expressa pela coisa: a (nave)
Challenger, o (porta-aviões) Minas Gerais,
o (prédio) Martinelli, o (edifício) Joelma,
o (navio) Ana Néri, o (remédio) AZT.
e) Exprime no singular a idéia de plural de um gênero,
categoria, grupo ou substância: O tamoio aliou-se ao
francês, no Rio. / "O sertanejo é antes de tudo
um forte."
f) Com função pronominal, evita um sentido ambíguo:
Entre o exército brasileiro e o argentino. O segundo
o deixa claro que se trata de dois
exércitos e não
de um constituído de brasileiros e argentinos
simultaneamente.
2 - Com possessivo
a) É facultativo o uso do artigo antes de possessivo que
acompanha um substantivo: meu carro, o meu carro; sua casa,
a sua casa; prejudicar nossa viagem, prejudicar a nossa viagem.
Para muitos autores, com a omissão do artigo a frase ganha
em leveza. Assim, a forma Sua mãe, seu pai e seu irmão
cantam bem tem mais ritmo que A sua mãe, o seu pai
e o seu irmão cantam bem.
b) Usa-se o artigo se o possessivo estiver isolado e se pretender
particularizar a afirmação: Esta casa é
a minha. / Todos devem zelar pelo nome dos seus.
c) Não se usa o artigo quando o possessivo pertence a uma
fórmula de tratamento, faz parte de um vocativo ou equivale
a alguns, muitos: Recorro a (e não à)
Vossa Senhoria. / Nossa Senhora chorava. / Veja, meu amigo, quanta
maldade. / Todos temos nossos defeitos.
d) Também não têm artigo expressões
como em minha opinião, a meu ver, a seu ver, em meu
poder, em nossas mãos, a seu bel-prazer, por vossa vontade,
por meu mal, algo de seu, muito de meu, etc.
e) O artigo substitui o possessivo quando usado antes do nome
de partes do corpo, peças de roupa, objetos de uso pessoal,
faculdades do espírito e relações de parentesco:
Mexeu os braços (e não os seus braços).
/ Passou a mão pelos cabelos. / Vestiu a camisa e as calças.
/ Colocou os óculos, a capa e o chapéu, e saiu.
/ Lembrava-se remotamente do pai.
3 - Com nomes geográficos
a) Usa-se normalmente o artigo com os nomes de países,
regiões, continentes, montanhas, vulcões, desertos,
constelações, rios, lagos, oceanos, mares e grupos
de ilhas: o Brasil, os Estados Unidos, a Antártida,
a Baixada Santista, a Europa, os Alpes, os Andes, o Vesúvio,
o Saara, o Cruzeiro do Sul, a Ursa Maior, o Tietê, o Titicaca,
o Atlântico, o Mediterrâneo, os Açores.
Exceção. Alguns países e regiões,
no entanto, rejeitam o artigo: Portugal, Angola, Moçambique,
Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Macau, Timor,
Andorra, Israel, Aragão e Castela.
b) Não se usa o artigo definido, em geral, com os nomes
de cidades, de localidades e da maioria das ilhas: São
Paulo, Visconde de Mauá, Malta, Cuba. Exceção.
Nomes de cidades que se formaram de substantivos comuns conservam
o artigo: o Recife, o Rio de Janeiro, o Porto, o Havre, o Cairo.
Algumas ilhas também mantêm o artigo: a Córsega,
a Sicília, a Sardenha, a Madeira, a Groenlândia.
c) Com relação aos Estados brasileiros, há
alguns que admitem o artigo e outros, não. Ver quais são
no verbete Estados (artigo).
d) Não se usa o artigo, em geral, com nomes de planetas
e estrelas: Urano, Plutão, Sírius, Canópus.
Exceções: a Terra e o Sol.
e) Os pontos cardeais e colaterais exigem artigo (mesmo quando
designam ventos): "São os do Norte que vêm."
/ A caravana dirigia-se para o sul. / Está soprando o noroeste.
Quando indicam apenas direção, dispensam o artigo:
Vento de leste. / Caminhadas de norte a sul.
f) Há artigo quando se qualifica ou determina um nome geográfico:
Visitei a Roma do Coliseu. / Era a estratégica Malta.
/ Morei no São Paulo dos cafezais (Estado). / Mudou-se
para a São Paulo da garoa (cidade).
4 - Com nomes próprios
a) Não se usa o artigo quando se trata de personagens ilustres,
de pessoas com as quais não se tem intimidade e de nomes
de santos: Admirava Joana d'Arc. / Chegou com Maria. / Era
devota de Santo Antônio. Exceção.
Existe artigo quando se designa a festa referente ao santo: Assisti
ao melhor São João da minha vida.
b) Usa-se o artigo para indicar intimidade com a pessoa, determinação
de um nome próprio e apelido ou qualificativo de pessoas:
Andava sempre com o João. / Admirava o Napoleão
conquistador. / Ali estava o Barbudo. / Descendia de Isabel, a
Redentora. Exceção: Frederico Barba-Roxa.
5 - Com títulos e pronomes de tratamento
a) Usa-se o artigo em títulos que indicam profissão,
cargo ou condição: o professor João Carlos,
o general Ernesto Geisel, o doutor Pereira da Cunha, a escritora
Lygia Fagundes Telles.
b) Usa-se o artigo com as palavras senhor, senhora e senhorita:
O senhor João dos Santos morreu ontem. / Falou com a
senhora baronesa. / Perguntou pela senhorita Maria. Não
se usa o artigo, porém, quando alguém se dirige
à própria pessoa: Adeus, senhor Antônio.
c) Não se usa o artigo antes das formas dom, frei, sóror
e monsenhor e antes dos títulos e denominações
de origem estrangeira, como madame, lorde, sir, lady, etc.:
Era frei Ambrósio que chegava. / Falou com dom Luciano.
/ Conhecia monsenhor Vicente. / Casou-se com madame Claude. /
Os ingleses encantam-se com lady Diana.
d) Não se usa o artigo antes das formas de tratamento iniciadas
por possessivo: Entrego o livro a Vossa Excelência. /
Ali estava Sua Alteza.
6 - Casos especiais
a) Nas enumerações, o uso do artigo depende
da necessidade ou não de especificação:
O Brasil, a Argentina e o Uruguai debateram a dívida externa
(especificado). / Falava corretamente português,
italiano e francês (não especificado).
b) Quando empregado com um substantivo de uma série, o
artigo deve ser usado para os demais: O Brasil, a Argentina
e o Uruguai discutiram... e não O Brasil, Argentina
e Uruguai discutiram...
c) Pode-se usar o artigo apenas com o primeiro substantivo, desde
que os demais representem um conjunto estreitamente unido:
Para sua tese, recolheu as histórias, mitos, superstições
e provérbios correntes na região.
d) Quando se trata de coisas diferentes expressas pelo mesmo substantivo,
repete-se o artigo; quando se trata da mesma coisa, não:
Apoiava o antigo e o atual governo. / O goleiro dominava a
pequena e a grande área. / Tinha o vago, mas persistente
sentido da morte. / Ouviram a nova e discutível versão
da música. / Deu-lhe a triste ou melancólica notícia.
e) A repetição do artigo dá ênfase
à frase: Era o mesmo, o verdadeiro, o inigualável
Anselmo.
f) Seqüência de superlativos exige repetição:
Era o mais competente, o mais culto e o mais premiado dos repórteres
do jornal. / Ali estava a maior, a melhor e a mais bela modelo
do país.
7 - Omissão do artigo
a) Jornalisticamente, admite-se a omissão do artigo definido,
apenas nos títulos, como medida de economia de sinais:
Agora, governo usa inflação que quiser. / Brasil
repele acusações de imperialismo.
b) Mantenha o artigo, porém, mesmo nos títulos,
com superlativos ou palavras de sentido absoluto: Ministro
diz que Brasil é o país mais protecionista. / Cai
o último invicto.
c) Com os particípios e com os verbos intransitivos colocados
antes do sujeito, use sempre o artigo: Desconhecido o paradeiro
do menino. / Acusado o ministro da Fazenda. / Chega hoje o presidente
da França.
8 - Não se usa o artigo
a) Em provérbios, comparações breves, sentenças
e antes de substantivos de sentido geral ou indeterminado: Amor
com amor se paga. / Vermelho como sangue. / Tempo é dinheiro.
/ Cortesia impõe cortesia. / Criança tem mais disposição
que adulto.
b) Quando se emprega o verbo ser para uma definição:
"Política é a arte do possível."
Se o verbo for outro, não há definição
e usa-se o artigo: A política trata... / A medicina
busca recursos...
c) Nos vocativos: Que quer, homem? / Ande logo, irmão.
d) Com expressões como cheirar a, saber a, pedir perdão,
pedir esmola, fazer penitência, declarar guerra, ouvir missa,
dar esmola, etc.: Isto cheira a rosas. / A bebida sabe
a vinho. / O país declarou guerra aos vizinhos. / O filho
pediu perdão ao pai.
e) Antes das palavras casa, terra (opondo-se a bordo,
que também dispensa o artigo) e palácio:
Veio de casa. / Foi para casa. / Avistou terra. / Desceu a
terra. / Gritou de bordo. / O senador foi chamado a palácio.
/ O presidente ainda estava em palácio. Há artigo
se estiver claro o sentido de determinação: Voltou
à casa dos pais. / Avistou a terra desejada. / Não
conhecia o Palácio dos Bandeirantes.
f) Depois de cujo: Era o homem cujo pai (e nunca
cujo o pai) procurávamos.
g) De forma repetida, com os superlativos o mais, os mais:
Eram os profissionais "os mais" competentes.
Há três formas possíveis (prefira a primeira):
Eram os profissionais mais competentes. / Eram os mais competentes
profissionais. / Eram profissionais os mais competentes.
h) Antes de palavras que designam matéria de estudo: Lecionava
matemática. / Estudava português.
i) Quando palavras (e seus sinônimos) como tempo, motivo,
oportunidade, ensejo, ocasião, disposição,
força, valor e ânimo (para alguma coisa)
estão associadas a verbos como haver, ter, faltar, dar,
pedir e equivalentes: Não tive tempo para sair.
/ Pediu nova oportunidade para provar sua competência. /
Faltou-lhe ânimo (ou disposição)
para enfrentar o desafio. / Pedimos permissão para ficar.