Esta terceira edição do Manual de Redação
e
Estilo apresenta consideráveis alterações em
relação à original, de 1990. Assim, centenas de
verbetes foram acrescentados ao
texto, para corrigir omissões ou incluir assuntos que passaram a
ocupar o noticiário nos últimos anos.
Simultaneamente o Manual foi acrescido de três
capítulos. O primeiro deles destina-se a resolver uma das
dificuldades mais angustiantes de quem gosta de escrever: o uso da crase.
Mas ele não apenas trata em profundidade da questão, como
relaciona centenas de locuções em que o a acentuado
está ou não presente.
O segundo é uma relação daqueles que se
consideraram os cem erros mais comuns do idioma, com uma
explicação sucinta sobre a maneira de evitar cada um deles
e outros semelhantes. Apesar de, na maioria, eles figurarem no corpo
do
Manual, com a sua publicação em um único bloco
visou-se a fornecer ao leitor um roteiro sobre sua presença cada
dia mais constante no idioma.
O terceiro esclarece a pronúncia de algumas centenas de
palavras sobre as quais costuma haver dúvidas, indicando
onde recai o acento e se o som é aberto ou fechado.
De qualquer forma, o objetivo deste trabalho continua o mesmo:
expor, de modo ordenado e sistemático, as normas editoriais e de
estilo adotadas pelo Estado. O Manual não pretende,
com
isso, tolher a criatividade de editores, repórteres e redatores,
nem impor camisas-de-força aos jornalistas da empresa. Seu
objetivo é claro: definir princípios que tornem uniforme a
edição do jornal.
Ele tem cunho eminentemente jornalístico. Por isso, mesmo
os grandes capítulos da gramática foram reproduzidos com
essa preocupação. É exemplo o uso do artigo,
examinado em profundidade por se tratar de uma das questões mais
diretamente relacionadas com a atividade do profissional da imprensa. O
mesmo intuito orientou a exposição das normas
ortográficas, do emprego do hífen, dos tempos e modos
verbais, das instruções de estilo, do que se deve ou
não usar. A extensão de alguns verbetes corresponde
à importância que o assunto tem para a
produção de um bom texto.
Embora destinado a jornalistas, o Manual pode
também
constituir eficiente auxiliar de todos aqueles que precisem escrever com
regularidade, estejam se preparando para exames de redação
ou
queiram conhecer as principais particularidades da língua
portuguesa. Os erros mais comuns do idioma mereceram
atenção especial e não apenas se alerta o leitor
para eles, como se mostra a melhor maneira de evitá-los, sempre
que possível por meio de regras práticas.
O volume está dividido em cinco partes. A primeira
reúne, em ordem alfabética, verbetes que tornam claro o que
se entende por um bom texto jornalístico e
instruções práticas e teóricas para escrever
bem, com correção e elegância. Sem se pretender um
tratado de jornalismo, revela igualmente os princípios
básicos para a edição do jornal. Ela relaciona ainda
as normas internas do Estado, entre elas a maneira de usar negrito
ou itálico, maiúsculas e minúsculas, números,
formas de tratamento, abreviaturas, siglas, etc., e trata dos grandes
capítulos da gramática, como a concordância,
regência, formação do plural, normas de
acentuação, conjugação verbal e uso do artigo.
Finalmente, dá noções de ortografia (incluindo-se o
uso do hífen) e estilo (palavras a evitar, boas e más
construções da língua, etc.). Este é o
capítulo básico do livro, servindo até mesmo de
índice remissivo para todo o trabalho, pois contém chamadas
para centenas de outros verbetes e para as demais seções do
Manual.
A segunda, terceira e quarta partes constituem os novos
capítulos do volume, já mencionados. A última,
Escreva Certo, é um vocabulário, destinado a esclarecer
dúvidas a respeito da grafia das palavras. Inclui milhares de
nomes comuns, próprios (à exceção dos nomes
de pessoas) e geográficos, vocábulos estrangeiros ou
já aportuguesados e marcas e nomes de produtos cada vez mais
utilizados no noticiário. Nesta edição, a lista foi
ampliada em cerca de 2 mil palavras, quase todas termos que surgiram na
imprensa nos últimos anos.
Na grande maioria, os exemplos constantes do Manual foram
extraídos de jornais e revistas, o que lhes dá um
caráter de permanente atualidade. Eles são abundantes e
têm por objetivo manter o profissional o mais próximo
possível das construções com que se defronta no
dia-a-dia.
As repetições que aparecem ao longo do livro
são propositadas. Por isso, casos especiais de concordância
podem constar do capítulo geral dedicado ao assunto e de verbetes
isolados. O que se pretendeu foi fazer que o consulente nunca deixasse de
encontrar as formas procuradas, em um ou outro local. E também,
pela
insistência, contribuir para que elas se fixassem melhor na
memória.
Os verbos mais comuns da língua portuguesa cuja
regência possa oferecer dificuldades figuram no manual e se
observou o critério do uso geral ou o dos exemplos dos bons
autores. Com base na tradição da língua ou nos
dicionários do gênero, em muitos casos o Estado optou
por uma forma, entre duas ou mais possíveis: à menor
dúvida sobre o assunto, nunca deixe de consultar o verbete
respectivo, no primeiro capítulo do Manual.
Como todo jornal, o Estado adota algumas formas
próprias de redação, ortografia ou estilo. Sempre
que isso ocorre, no entanto, faz-se a devida ressalva. Um exemplo: os
dicionários grafam, em geral, oceano Atlântico,
baía
de Guanabara, golfo Pérsico, etc. No jornal, a palavra que
indica
o acidente tem inicial maiúscula: Oceano Atlântico,
Baía de Guanabara, Golfo Pérsico, etc.
Faz parte ainda deste volume uma relação de
palavras
vetadas. São termos que a Redação, a seu exclusivo
critério, julga antijornalísticos, grosseiros, ultrabatidos
ou, ao contrário, rebuscados demais para uso normal no
noticiário. À exceção dos vocábulos
vulgares (avacalhar ou esculhambar, por exemplo) ou chulos,
os
demais poderão ser admitidos em artigos ou crônicas de
colaboradores externos, mas não em trabalhos idênticos dos
profissionais da empresa. Alguns exemplos de palavras e expressões
consideradas antijornalísticas ou sofisticadas: primeiro
mandário da Nação, burgomestre, transfusionado,
soldado do fogo, agilização, necrópole,
nosocômio, tantalização, programático,
emergencial, alavancagem, a nível de, etc.
Na consulta ao Manual, deverão ser obedecidas,
entre
outras, regras práticas como: a) As locuções, na
quase totalidade dos casos, têm como base a sua palavra-chave.
Assim, procure à medida que em medida, e não
na
letra a.
Igualmente, de encontro a pode ser localizada em encontro
e a nível de, em nível. b) O verbete entre
aspas indica que se
trata de forma errada ou não usada pelo jornal (exemplo:
"congressual"). c) A referência prefira implica
a
existência de uma ou mais opções. Fica evidente que o
Estado se definiu por uma delas, apenas.
Para que o consulente não deixe de encontrar o que busca,
esta edição do Manual criou centenas de
remissões.
Em raças e cães, por exemplo, indica-se que a
explicação está em animais. Tentou-se
também
prever a que verbete o leitor iria recorrer para esclarecer determinada
questão. Assim, em mim, abrem-se duas chamadas, para as
expressões entre mim e ti e para eu fazer. Nas formas
parecidas
(como seção, secção, sessão e
cessão), uma delas registra a diferença entre as palavras
e
nas outras se aponta em que verbete figura a explicação.
Na preparação do Manual, foi muito
importante a
colaboração do filólogo Celso Cunha e da professora
Flávia de Barros Carone, já falecidos. Os dois estudiosos
do idioma deram opiniões valiosas a respeito de questões
extremamente controvertidas do idioma e assuntos nos quais, pela
própria dinâmica da língua, as gramáticas e
dicionários ainda são omissos. Em sua memória, o
nosso reconhecimento.
E.M.
|
|